Ninguém deseja que estas coisas aconteçam, mas acontecem. Durante as férias de verão, o “Cavaleiro Antek” teve uma dor de estômago e ficou sem vontade de brincar com as irmãs Marysia e Rosa. Ficava de cama e chorava.
Os pais levaram-no às urgências, onde lhe acalmaram as dores com uma injecção. “Não lhe agradou nada – explica Dorota, a sua mãe – mas aliviou-lhe a dor de estômago. Pensámos que fosse algo passageiro, mas cada vez voltávamos com mais frequência ao Hospital”.
Quando terminaram as férias, Antek começou a ir ao colégio. Depressa conquistou os professores e companheiros com a sua alegria e educação. Brincava sempre ao cavaleiro andante e comportava-se como tal.
A família de Antek vive em Varsóvia (Polónia), onde os filhos frequentam um colégio, obra corporativa do Opus Dei.
Na família e no colégio Sternik, obra corporativa do Opus Dei em Varsóvia (Polónia), rezavam pela saúde do Antek. Mas algo não estava bem. O menino, pelo contrário, rezava por outras muitas coisas, mais ou menos sérias, pela paz no mundo, pelas suas irmãs, pela sua equipa de futebol...
Finalmente, os médicos decidiram operá-lo ao apêndice. Parecia a solução, mas foi apenas o início de ataques mais fortes de dor de estômago.
- Porque tenho que estar no hospital? Perguntava Antek. Porque é que estou doente?
A mãe, que não tinha muitas explicações para lhe dar, tentou explicar-lhe a situação desta forma:
- Meu filho, se Jesus olhasse para ti e te perguntasse: “Antek, ajudas-Me a levar a Cruz?”. Tu, que Lhe dirias?
- Bem... dizia-Lhe que sim.
- Pois é o que te está a perguntar agora.
Um sacerdote amigo dos pais de Antek foi visitar o menino. Falou com ele e ofereceu-lhe um crucifixo pequeno, de madeira. A partir daí, Antek levava-o sempre na mão quando lhe iam fazer algum exame ou quando o levavam para a sala de operações.
As enfermeiras viam que o menino aproximava a mão da boca e ouviam-no sussurrar: “Jesus, confio em Ti”.

No dia em que lhes iam confirmar o diagnóstico definitivo, Dorota conta que se dirigiu ao gabinete do médico lentamente, com o passo de uma mulher com nove meses de gravidez. “É cancro – disse o médico aos pais. Amanhã começamos com quimioterapia”.
O Cavaleiro Antek enfrentou com valentia e muito poucas forças este temível dragão. Sem cabelo, com vómitos e débil, perguntou:
- Mamã, mas o que é que tenho?
A mãe disse-lhe a verdade:
- Tens uma doença que se chama cancro. Os médicos vão tentar curar-te, mas tens que saber que às vezes não conseguem.
- Quer dizer, que posso morrer.
- Bom... como todos, como o papá, como eu... Mas só Deus sabe em que ordem.
O menino não acrescentou nada. Apenas se voltou, tirou o seu crucifixo da mesa e sussurrou outra vez: “Jesus, confio em ti”.

A mãe pôs em andamento uma cadeia de oração, na família, entre os amigos. Todos os dias recebia vários SMS no telemóvel: “Hoje ofereci a Missa pelo Antek”, “Farei uns minutos de oração pelo teu filho”... Dorota pedia orações a quem quer que fosse. Um dia, ao descer de um táxi, disse ao taxista:
- “O meu filho está a morrer. O senhor é capaz de rezar por ele? “
Rezou e fez rezar. Queria apresentar a Deus “toneladas de oração”.
Antek lutou muito contra o cancro. Alguns dias sentia-se bem e corria por todo o hospital como um raio, revolucionando tudo. Noutros, só tinha forças para ver televisão.
E amadurecia rapidamente. Perguntava cada vez com mais frequência à mãe coisas sobre a morte, o Céu, o motivo do sofrimento.
- Mamã, o que é que se faz no Céu?
- Brinca-se, corre-se de bicicleta, divertes-te com Deus...
A mãe assegura agora que as “toneladas de oração” deram a Antek uma tranquilidade antes do fim. Durante uns dias ficou perfeitamente, corria de um lado para o outro, passeava, tinha recuperado a felicidade...
Dorota pedia orações a quem quer que fosse. Um dia, ao descer de um táxi, disse ao taxista: “O meu filho está a morrer. O senhor é capaz de rezar por ele?“
Mas os médicos sabiam que o cancro continuava a crescer, cada vez mais depressa e aconselharam os pais a levá-lo para casa, onde ficaria mais tranquilo durante os seus últimos dias. Aí, voltou a recair.
Antek desfrutou do ambiente familiar. A partir da sua cama via a mãe preparar o jantar, as suas irmãs a fazer os deveres, o pai a ler-lhe uma história.
Um dia chamou a irmã Róża, com quem às vezes brigava:
- Róża – disse-lhe – és tão bonita e tão boa. Gosto muito de ti, lembra-te.
Noutra altura, o pai disse-lhe a chorar:
– Meu filho, se pudesse, morreria por ti.
O miúdo sorriu com dificuldade e respondeu-lhe:
- Mas, quem vai morrer por ti sou eu.
Antek tinha 6 anos e 9 meses.
Morreu pouco depois das sete da manhã. Na sua tumba, um amigo deixou escrito: “Muito obrigado Antek! Ensinaste-nos a aceitar a dor que chega sem se saber porquê. A apoiar-nos na fé. A aceitar a vontade de Deus e a confiar n’Ele”.