Resumo da viagem do Prelado ao Brasil

Mons. Fernando Ocáriz esteve nos últimos dias no Brasil. Para além de ter estado com jovens, profissionais e famílias, o prelado proferiu algumas conferências num curso para bispos do Brasil.

Do Prelado
Opus Dei - Resumo da viagem do Prelado ao Brasil

3 de Fevereiro

30 de Janeiro

O prelado celebrou a Santa Missa na sede da Assessoria Regional do Brasil, [o órgão de governo para o trabalho apostólico com mulheres no país] dirigiu uma breve homilia, comentando o Evangelho do dia. Animou as participantes a serem pessoas de fé na vida diária, para não desanimar perante as pequenas contrariedades, pois o mais importante não são as dificuldades, ou limitações, mas o amor de Deus por nós. Terminou animando a "pedir ao Senhor que mantenha sempre a nossa fé em que Ele está connosco, nos ama, e tem tudo previsto, embora também conte com a nossa liberdade; e, é desse modo, podemos corresponder ao seu amor".

"NÃO PODEMOS DEIXAR-NOS DOMINAR PELAS TECNOLOGIAS. TEMOS QUE SER NÓS A DOMINÁ-LAS."

De tarde, Mons. Ocáriz encontrou-se com jovens estudantes do ensino

secundário e com universitários no Centro de Convenções Rebouças. Muitas perguntas giraram em torno do uso das novas tecnologias de comunicação. O Prelado recordou que elas possuem um poder imenso e, como qualquer ferramenta muito poderosa, podem ser usadas para o mal ou para o bem. “Não podemos deixar-nos dominar pelas tecnologias. Temos que ser nós a dominá-las”, explicou o prelado num elogio à virtude do autodomínio. Sugeriu que tenhamos horários e rotinas definidas no uso do telemóvel e do computador, de modo a estarem sempre orientadas para o crescimento humano e nos darem espaço e liberdade para servir os outros.

Rodrigo, um jovem de 16 anos, compartilhou com o prelado do Opus Dei a sua alegria por ter recebido o Batismo, a Eucaristia e o Crisma no ano passado: “ A minha vida mudou muito depois que eu comecei a frequentar a Obra. Como posso retribuir tantos dons que recebi?” Mons. Fernando Ocáriz recordou que nunca seremos capazes de retribuir a Deus todos os dons que nos deu. “E mesmo os dons que podemos oferecer-lhe nada mais são do que dons que havíamos recebido d´Ele”, lembrou Mons. Ocáriz. Ao mesmo tempo, sublinhou uma consequência natural da nossa gratidão a Deus: “Ser apóstolo. Conhecer Jesus Cristo e levá-lo a todos os lugares, a todos as pessoas.”

"QUANDO DEUS PENSAVA EM CADA UM DE NÓS, ELE INVENTOU O OPUS DEI: UM PRESENTE PARA CADA UM ."

Num encontro com fiéis da Prelatura às 21h, recordou uma ideia de S. Josemaria: “Quando Deus Nosso Senhor projeta alguma obra em favor dos homens, pensa primeiro nas pessoas que vai utilizar como instrumentos”. O prelado fez notar que a mesma ideia também pode ser formulada no sentido inverso: “Quando Deus pensava em cada um de nós, inventou o Opus Dei: um presente para cada um.”

29 de Janeiro

Mons. Fernando Ocáriz viajou para S. Paulo ao fim da tarde. Antes de se despedir do Rio de Janeiro, teve ocasião de estar com algumas famílias e fiéis da Prelatura.

Depois de uma semana de calor e sol, o dia amanheceu chuvoso. Referindo-se à sua partida, recordou a importância de permanecerem unidos pela Comunhão dos Santos: “O mesmo Jesus, o mesmo Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, que está em cada um dos vossos corações, é o que está em mim. Vivemos unidos em Deus”.

Acrescentou também que, apesar da distância, a nós, cristãos nos mantém unidos a devoção a Jesus na Eucaristia: “Quando estiverem no oratório, pensem que está ali no sacrário o mesmo Jesus a quem reza o prelado. É uma unidade verdadeira, não é imaginação. Por isso, não nos despedimos, porque vivemos sempre em uníssono”.

28 de janeiro

Mons. Ocáriz pregou uma meditação a alguns fiéis do Opus Dei: “Estamos nas mãos de Deus, disse. Com esta convicção, não há dificuldade que o Senhor não possa vencer”. Referiu também que Jesus é a manifestação da verdade mais importante de todas: o amor infinito de Deus por nós. Ao longo do dia, o prelado teve várias tertúlias e reuniões com pessoas do Opus Dei de S. Paulo, a que se juntaram pessoas de outras regiões, bem como da Argentina e do Uruguai. “O que há de mais valioso na vida cristã de uma pessoa da Obra - a Eucaristia e a Sagrada Escritura - vem da Igreja, é Igreja”, sublinhou.

Um dos assistentes à tertúlia da manhã perguntou como combinar a liberdade com a prudência na educação dos filhos. “A amizade com eles é fundamental”, especificou o prelado. “Os pais devem saber conciliar o exercício da autoridade com o interesse sincero pelos seus filhos”. Aconselhou ainda a evitar o desalento perante os próprios defeitos. “Não podemos capitular perante os nossos falhanços, porque é o Senhor que nos guia e nos dá forças para os superar”. Perante as graças que Deus concede a quem lhas pede, o cristão deve corresponder com agradecimento. “É bom sentir a responsabilidade pelos talentos que cada um de nós recebeu e fazê-los frutificar”. O prelado insistiu na necessidade de estar alegres, para assim transmitir melhor a mensagem de Cristo aos que nos rodeiam.

Na reunião da tarde várias fiéis da prelatura e cooperadoras que participam nas atividades de formação cristã do Opus Dei em Petrópolis contaram algumas notícias da sua cidade e pediram orações. O prelado respondeu que as pessoas dessa cidade têm “especial obrigação de rezar pelo Papa, porque Petrópolis é a ‘ Cidade de Pedro’ e o Papa é o sucessor de S. Pedro”.

Uma das presentes perguntou como podiam preparar-se bem para os 90 anos do Opus Dei, que ocorrerão no próximo mês de outubro. Mons. Fernando Ocáriz sugeriu que intensificassem as ações de graças a Deus durante este ano, acompanhados pela oração de milhares de pessoas.

Ao fim do dia, houve uma tertúlia com jovens que participam dos meios de formação cristã em várias cidades do Brasil. Uma estudante de Brasília perguntou a Mons. Ocáriz como se sente ao ser o “Padre” de uma família tão numerosa. Disse-lhe que lhe dá muita calma “sentir-se acompanhado pela oração de milhares de pessoas”.

27 de janeiro

No sábado, ao princípio da manhã, Mons. Fernando Ocáriz comentou o Evangelho do dia na sua pregação a um grupo feminino. “O acalmar a tempestade no Mar da Galileia é um facto histórico e, ao mesmo tempo, um símbolo da vida de cada um e da Igreja. Muitas vezes temos que enfrentar as dificuldades que nos deparam na vida, no nosso empenho evangelizador, no nosso estar no mundo”.

“ Por vezes, continuou, parece que o Senhor está a dormir e nem sempre é fácil captar a sua presença, mas Ele está connosco”. O prelado do Opus Dei acrescentou que, à presença de Deus, estão unidas as virtudes da fé, da esperança e da caridade, que é necessário pedir a Deus.

Ao terminar esse tempo de oração, conversou com um grupo mais numerosos de fiéis do Opus Dei procedentes de diversas cidades do Brasil e do Paraguai. Na tertúlia, foram tratados vários temas relacionados com a vida cristã, entre os quais a responsabilidade pessoal, o trabalho e a aceitação do sofrimento.

Uma das presentes perguntou qual o papel dos sentimentos na própria vida. O prelado recordou que os sentimentos são bons e que um cristão não pode ser uma pessoa sem coração. O Senhor colocou os sentimentos na natureza humana para seu próprio bem. Quando uma pessoa é muito sentimental, acrescentou, deve procurar pôr esses sentimentos ao serviço do Senhor, perguntando-lhe como proceder em cada caso.

De tarde, o prelado esteve com outras profissionais e estudantes que frequentam as atividades de formação proporcionadas pelo Opus Dei no Rio de Janeiro. Na sua intervenção, recordou as palavras de Bento XVI, que afirmava que “não há nada mais belo que ser atingido pelo Evangelho", por Cristo, e dá-lo a conhecer a outros. “Dar-se pessoalmente com Cristo – referiu Mons. Ocáriz – será o que nos vai impelir a ser generosos no apostolado, no desejo de aproximar os nossos amigos de Deus”.

Uma das perguntas versou sobre o respeito pela liberdade dos outros, tema abordado numa recente carta pastoral do prelado. “Nas questões opináveis - recordou, citando S. Josemaria - , é bom que haja pluralismo e que nós, cristãos, pensemos de maneira diferente”.

Depois, centenas de jovens que participam nos meios de formação do Opus Dei no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza e Porto Alegre receberam o prelado no centro de congressos da Ordem dos Cirurgiões Brasileiros. Vários assistentes perguntaram como ser mais generosos com Deus. O sucessor de S. Josemaria explicou que habitualmente Nosso Senhor não mostra com toda a clareza o que quer de nós. “O cristão conta sempre com uma série de elementos para ver qual é o caminho que deve seguir, mas o Senhor deixa uma certa margem de incerteza, porque quer que confiemos n´Ele e tomemos as nossas decisões livremente”.

À noite, numa reunião familiar depois do jantar, cantaram-se canções brasileiras, entre as quais a ‘Romaria’ de que o anterior prelado do Opus Dei, D. Javier Echevarría, gostava muito.

26 de janeiro

Minercina viajou de Montes Claros com o marido e alguns dos filhos. No Rio, reuniu outras filhas e sobrinhas que vieram de Brasília e de S. Paulo. A mais nova é a Maria Cristina, com síndrome de Down, que entregou ao prelado uma caixa de pedra sabão, como lembrança da sua cidade, e um poster com as fotografias das pessoas da família que não tinham podido estar presentes no encontro.

Nazaré viajou de São Paulo para coincidir com a irmã, Andrea, e o seu marido, Daniel. Andrea tem cinco filhos, dois dos quais adotados. Deram ao prelado a notícia de que estão à espera do sexto filho. Estiveram também com o prelado famílias de Londrina e de Curitiba.

Numa reunião informal a seguir ao jantar, Mons. Ocáriz teve oportunidade de conhecer alguns episódios da vida de D. Rafael Llano Cifuentes, bispo emérito de Nova Friburgo, recentemente falecido. Rafael Llano chegou ao Rio de Janeiro em 1975 para começar o trabalho apostólico do Opus Dei.

Questionado sobre o trabalho de evangelização com os que temos mais perto de nós, o prelado sublinhou que é importante mostrar aos nossos amigos a alegria da vida cristã. Isso costuma ser frequentemente mais eficaz do que recorrer a explicações e argumentos racionais.

22 de janeiro

Foi recebido no aeroporto de Galeão por Mons. Vicente Ancona Lopez, vigário regional do Opus Dei no Brasil e por vários fiéis da Prelatura. Dirigiu-se para o centro Icatu, sede da delegação do Opus Dei no Rio de Janeiro, onde lhe foi possível cumprimentar várias pessoas.

A propósito do motivo da sua viagem, indicou que há um ano e meio foi convidado pelos bispos do país para dar uns cursos. Embora considerasse que as suas múltiplas tarefas em Roma o impediam de viajar, D. Javier Echevarría, na altura prelado do Opus Dei, animou-o a aceitar. “Devem, portanto, a minha visita a D. Javier”, acrescentou.

“APROVEITAR O TEMPO É ENCHÊ-LO DE AMOR A DEUS E, COMO CONSEQUÊNCIA, DE SERVIÇO AOS OUTROS”

Depois, a propósito de uma canção, comentou: “o tempo para amar é breve. É necessário aproveitar o tempo. E aproveitar o tempo é enchê-lo de amor a Deus e, como consequência, de serviço aos outros”.

De tarde, depois de cumprimentar algumas famílias, Mons. Ocáriz dirigiu-se ao Centro de Estudos Sumaré, onde se realizaria o curso para bispos, até 26 de Janeiro.

O curso de bispos, uma tradição de décadas

O prelado do Opus Dei, Mons. Fernando Ocáriz, foi convidado para o 27º curso para bispos pelo cardeal D. Orani Tempesta para dar algumas das conferências. O tema deste ano é: “Ateísmo. Formas atuais e desafios para a evangelização”. Juntamente com o prelado, houve sessões a cargo de outros oradores: o P. Rafael José Stanziona de Moraes, o Prof. Francesco Botturi e Frei Francisco Patton, OFM. A arquidiocese do Rio de Janeiro organiza desde 1990 o curso para os bispos do Brasil. A conferência inaugural foi nesse ano pronunciada pelo então cardeal Joseph Ratzinger. O encontro anual tem como objetivo principal reunir os bispos para participar numa semana de estudos, oração e descanso. O Bispo Auxiliar emérito do Rio, D. Karl Josef Romer, é o coordenador deste curso.